A Relação entre médicos e pacientes na era digital

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O advento da tecnologia e a democratização da informação através da internet marca o mundo moderno. Entre mudanças decorrentes desta influência digital, também mudou, de certa forma, a interação entre médicos e pacientes. O paciente pode chegar ao consultório ou ao pronto-socorro muitas vezes com informações coletadas sobre seus sintomas através de buscadores. Este recurso é popularmente conhecido como “consulta ao Dr. Google”.

O DR. GOOGLE

Sabe-se que buscas online relacionadas à saúde correspondem ao segundo tema mais procurado no Google. Além disso, mais de um terço dos pacientes adultos procuram a internet para informações antes de procurarem um pronto socorro.

Foi reportado que 43 a 56% de pais de crianças que vão ao pronto socorro procuram informações online em algum momento, e que 6 a 12% o fizeram antes de ir ao hospital. A forma como este comportamento afeta a relação médico-paciente ainda é pouco conhecida.

QUASE 50% DOS PACIENTEM BUSCAM AUTO DIAGNÓSTICO

Um estudo australiano publicado por Anthony M Cocco e colaboradores na revista “Medical Journal of Australia” em agosto de 2018 faz uma análise interessante do tema.

O estudo foi realizado em dois grandes hospitais em Melbourne, através de entrevistas a pacientes que procuraram o pronto socorro durante 60 dias de plantão entre fevereiro de maio de 2017. Foram entrevistados 400 pacientes, de todas as idades, com média de 47 anos. Um total de 196 pacientes (49%) indicaram que usavam a internet regularmente para pesquisar informações referentes à saúde, sendo que 34,8% haviam pesquisado o problema específico que os levaram ao pronto socorro naquela ocasião.

Entre as perguntas desta pesquisa, foi questionada a percepção do efeito da pesquisa online na relação médico paciente, através de 9 itens.

RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE

Tratando-se da relação médico-paciente, 150 participantes do estudo (77,3%) consideraram que o impacto da busca online na relação médico paciente foi positiva (seja por facilitar a comunicação com o médico, ou melhor entender o serviço de saúde prestado), enquanto que 32 participantes (16%) consideraram o impacto negativo, por exemplo, tornando-os mais ansiosos e preocupados.

O estudo conclui que a pesquisa online, sob a óptica dos pacientes, teve, em sua maioria, um impacto positivo na relação médico paciente, especialmente nos mais jovens, mais

habituados com o uso das ferramentas online e raramente causou dúvidas sobre a qualidade do atendimento prestado.

Há de se ressaltar que este estudo não necessariamente reflete o perfil do paciente brasileiro, seja por diferenças sociais, econômicas ou culturais. A abordagem, entretanto, é interessante, uma vez que destaca, sob a óptica dos pacientes, aspectos positivos de uma tendência bem estabelecida no mundo.

 

Autor: Dr. Vergilius José Furtado de Araujo Neto

 

Referências:
IERACI, Susan. Redefining the physician’s role in the era of online health information. Medical Journal of Australia, 209, 8, (340-341), (2018).

 

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